25 de jul de 2011

Sobre o ritual de comprar discos

Alguém ainda compra discos?

No meu primeiro post aqui, eu falei sobre alguns discos de rock que DEVEM ser escutados por qualquer um que goste de rock de verdade. Mas aí depois eu fiquei pensando: será que hoje em dia alguém ainda usa a palavra disco quando fala de música? Melhor ainda, alguém ainda compra discos? Bom, sei que eu compro e resolvi falar sobre o porquê de manter essa prática que parece tão ultrapassada.

Quando algum site publica que uma banda vai lançar um novo cd, a coisa mais comum que se lê nos comentários é “não vejo a hora de baixar essas músicas”. Ta certo que a música digital veio para ficar – eu mesmo tenho todos os meus discos em mp3 –, mas comprar um disco de forma física é muito maneiro. Por mais que seja muito mais fácil encontrar qualquer música na internet, não existe nada tão divertido como o ritual de escutar uma música, indo desde o momento da compra do cd, até finalmente escutá-lo até o final. Sim, ouvir música, pra mim, envolve todo um ritual, que passa por ver as novidades nas lojas de música e acabar fazendo amizade com pessoas que curtem o mesmo som que você.

Não há como negar que o mp3 é uma mão na roda, afinal, são centenas de músicas à disposição com muita praticidade. Fora que, até pouco tempo, muita coisa boa nem chegava nas lojas aqui do Brasil, o que tornava obrigatório o download. Lembro que eu tinha vários cds com músicas raras do Nirvana que nunca foram lançadas no Brasil. O problema é que, infelizmente, toda essa facilidade está fazendo com que as pessoas simplesmente não escutem mais álbuns inteiros. A maioria prefere fazer apenas coletâneas com suas músicas preferidas de vários artistas diferentes.

Ritual e emoção

Sério, pode parecer papo de velho – e realmente é – mas como eu disse, escutar música envolve um ritual, pelo menos naqueles momentos em que você quer simplesmente relaxar escutando alguma coisa. Não existe coisa melhor do que chegar em casa com um disco novo, rasgar o plástico protetor, colocar o disco no aparelho e escutar até o final aquele álbum tão esperado, enquanto aprecia o encarte. Inclusive, eu sou tão maníaco nesse sentido que odeio ter que parar de escutar um disco pela metade.

A impressão que eu tenho é que a música hoje em dia acabou ficando meio banalizada, não existe mais aquela emoção de comprar um disco raro, por exemplo. Lembro que uma das minhas maiores emoções no mundo da música foi quando finalmente encontrei em uma loja o Bleach, primeiro disco do Nirvana e que era extremamente difícil de se achar por aí.

Claro que esse texto não tem o objetivo de convencer ninguém a voltar a comprar discos, até porque Grandes bandas, como Radiohead, por exemplo, já disponibilizam suas músicas para download. O importante é perceber que, por mais que pareça algo muito ultrapassado, pagar pela música física ainda pode ser recompensador, principalmente quando os artistas capricham nos encartes, como é o caso do Pearl Jam. Além disso, façam um favor a vocês mesmo e passem a escutar os discos das suas bandas favoritas do começo ao fim e na ordem. Garanto que quando chegar ao final, até aquela música que parece mais chatinha vai fazer sentido dentro do contexto no qual o disco foi produzido.


Quem Sou Eu:
Felipe Storino é jornalista, nerd, fã de Nirvana e rubro-negro fanático. Escreve nos blogs Nerds Somos Nozes e Bicuda pro Gol e é uma das poucas pessoas no mundo que ainda gasta dinheiro com discos e gibis.

6 comentários:

  1. Como sou fã das antigas de rock progressivo estou muito acostumado a ouvir as músicas na mesma ordem dos discos originais, mas em mp3, é muito mais prático. Mesmo tendo os CDs eu os gravo no micro e daí pro celular, pro pendrive, etc.

    Mas não creio nesse glamour todo em comprar discos, sejam CDs ou LPs de vinil às antigas, acho papo furado.

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  2. Ola, eu compro discos tambem, curto muito rap dos anos 80, nao os LPs, mas os "singles", que sao os discos com mais de uma versao da mesma musica, por exemplo, no album do artista tal musica tem 4 minutos, e no single a mesma musica tem uma versao extended com 7 minutos, mais instrumental e outras versoes alternativas, hoje tem muitos singles em arquivos compactados para download, mas nem tudo, tem muita coisa que vc ainda nao acha para baixar, fora o lado colecionador, acho bacana possuir tal som no formato original em que foi lancado na decada de 80, ou seja, vinil, compro tudo da internet, sai bem mais barato que comprar no Brasil, e muitos caras que vendem discos no Brasil tem a internet como fonte, é preciso ter paciencia, pois muito disco que os caras vendem por R$300 aparecem por exemplo 4 vezes ao ano por menos de $100 na internet.

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  3. Realmente meu caro,muita coisa mudou,não sou da época do vinyl,mais hoje em dia vejo que o LP é bem melhor na questão de qualidade músical.Semana passada ganhei o meu primeiro disco de vinyl e foi muita emoção,ele veio lacrado e foi muito bom escutar.

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  4. e o vinil onde fica nisso tudo?

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  5. Rsrsrsss me fez lembrar minha filha quando foi ao Museu da Carmem Miranda. Qd ela chegou do passeio eu perguntei: e aí filha, gostou? Ela, com a maior cara de q ía me contar uma novidade, disse: Mãeee, tinha uns CDs enooormes pretos q eles ouviam na época!

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  6. Concordo inteiramente com o seu post, Felipe. Sou uma das poucas pessoas que meus amigos conhecem que ainda se dedicam à compra e à coleção de CDs, e não faço isso à toa. É muito mais gratificante pra gente chegar na loja, pegar o CD nas mãos, analisar a capa, a contracapa, a lista de faixas e então levá-lo para casa, ansiosos para ouvir cada uma delas e depois poder formar uma opinião válida sobre o que acabamos de ouvir. Eles também me dizem que isso é coisa de velho ─ principalmente por todos nós termos entre 18 e 20 anos ─ mas eu não me importo; alguns "costumes de velho" merecem continuar. Fiquei muito feliz ao ler seu post e perceber que existem, sim, outras pessoas nesse país afora que têm o mesmo costume que eu e não se envergonham disso. Espero que, depois desse post, mais pessoas passem a tomar gosto pelos discos e deixem um pouco de lado a ânsia de apenas baixar o mp3, afinal, ouvir música é uma ação que exige muito mais de nós mesmos do que pensamos.

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