28 de set de 2011

As gafes do primeiro fim de semana do Rock in Rio

 Matanza/Sepultura/Slipknot

Apesar de apresentar vários artistas que nada tem a ver com rock (como já é costume no festival), até que gostei bastante dos shows desse primeiro fim de semana do Rock in Rio, especialmente Matanza, Sepultura e Motörhead. O que não dá pra entender é como um festival, que já acontece desde a década de 1980, continue cometendo erros bobos na hora de escalar as atrações de cada palco.

 Elton John/ Cláudia Leite/ Katy Perry

Eu nem vou comentar o primeiro dia, com Claudia Leite se apresentando no Palco Mundo e Sir Elton John sendo jogado no meio de uma platéia que só gosta de artistas pop. Partindo direto para as apresentações de rock, que são o que realmente interessa. É inadmissível que uma banda como o Sepultura tenha que se apresentar no bizarríssimo Palco Sunset, enquanto a tal banda Glória pôde tocar no principal. A única explicação que eu consigo enxergar pra isso é que os caras são cria do Rick Bonadio, o mesmo responsável pela maioria das terríveis bandas emo. Resultado: foram vaiados do começo ao fim.

 
 Nx Zero/ Capital Inicial/ Glória

E aqui não me cabe dizer se a banda é ruim ou não (até porque nunca escutei o som deles), mas em um palco que vão tocar Metallica, Motörhead e Slipknot, você TEM que colocar outra banda de peso, como o Sepultura. E não uns novatos para serem devorados pelos fãs dessas outras bandas. Prova de que a escalação foi totalmente equivocada é que Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, subiu ao palco para tocar uma música junto com o Motörhead. Se o Glória tivesse tocado no Sunset talvez as pessoas até dissessem “tá aí, gostei do som dos caras”, mas no palco principal eles foram jogados aos leões e não tiveram a mínima chance.

 Andreas Kisser

Infelizmente não foi apenas a organização do Rock in Rio que teve momentos deploráveis, Capital Inicial e Red Hot Chilli Peppers também tiveram seus momentos de vergonha alheia na noite anterior. A primeira infelizmente parece que parou no tempo. Apesar do vocalista Dinho Ouro Preto já ter quase 50 anos de idade, ele continua fazendo aqueles discursos contra o sistema, típicos de adolescentes. Em certo momento ele disse até que o importante era nunca confiar em políticos e ponto final, sejam eles de direita ou de esquerda. Alguém precisa avisá-lo que pra fazer rock não precisa de toda essa revolta e que simplesmente ignorar a política não vai fazer as coisas mudarem no país.

 Metallica/Motörhead/Red Hot Chilli Peppers

Para encerrar a noite, entra o Red Hot Chilli Peppers no palco e o vocalista Anthony Kiedis (que também não é mais adolescente há muito tempo) aparece vestindo uma camisa da Brahma, sendo que a cerveja que patrocina o festival é a Heineken. Se ele fez isso pra ser “rebelde”, pra mim pareceu apenas patético. Esse é o tipo de atitude que se espera de uma banda adolescente, em começo de carreira, que precisa chamar atenção de algum jeito. O Red Hot Chilli Peppers já tá na estrada há muito tempo e com certeza não precisa disso. A menos que o vocalista esteja passando fome e precise desesperadamente da grana do patrocínio, essa foi uma provocação totalmente desnecessária e infantil. Fora que atitude roqueira de “verdade” seria justamente falar mal das grandes empresas.

e Red Hot Chilli Peppers internet

Quem Sou Eu:
Felipe Storino é jornalista, nerd, fã de Nirvana e rubro-negro fanático. Escreve nos blogs Nerds Somos Nozes e Bicuda pro Gol e é uma das poucas pessoas no mundo que ainda gasta dinheiro com discos e gibis.

Um comentário:

  1. Desculpe, mas alguem que se rotula, eu diria que, orgulhosamente, como Nerd, não merece minha consideração. Mas nesse caso merece meus parabens pelo belo post.

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